RESENHAS MÉDICAS

MUSCULAÇÃO – chata, mas benéfica

É pouco provável encontrar alguém que goste de fazer musculação. Considerada chata por ser monótona e a força realizada desconfortável, essa atividade física traz inúmeros benefícios à saúde, pricipalmente à medida que envelhecemos.

O sistema muscular atinge sua maturação entre 20 e 30 anos de idade. Entre a terceira e a quarta década, a força permance estável e, em torno de 60 anos, a redução da força máxima muscular está entre 30 e 40%, o que corresponde a uma perda de força de 6% por década dos 35 aos 50 anos e, à partir daí, 10% por década. A musculação além de amenizar essa perda, previne o aparecimento de lesões ósteo-articulares provocadas pela movimentação, esforço inapropriado ou impacto, entre elas, hérnia de disco, artrose, tendinites e osteoporose. Ela também aumenta a massa muscular, o que leva a uma superfície corpórea mais torneada melhorando inclusive a autoestima.

A musculação auxilia no processo de emagracimento, principalmente se associada a uma dieta adequada e balanceda. Isso ocorre porque a dieta hiocalórica causa a perda de gordura e músculo. A musculação ameniza ou evita a perda do tecido muscular, além de auxiliar na queima de gordura. Essa queima ocorre em função do gasto calórico imposto ao organismo e do estímulo do metabolismo. Esse estímulo provoca o aumento de taxa metabólica de repouso (TMR) devido ao aumento da massa muscular.

Acredita-se que a perda muscular com o passar da idade seja a principal causa do indivíduo engordar, uma vez que há diminuição da (TRM). Além disso, a musculação é o único meio de aumentarmos nossa capacidade de queima calórica. Isso ocorre porque o tecido muscular gasta muita energia para manter sua estrutura e funções, tais como contração muscular para movimentação e síntese protéica. Portanto, quanto mais musculosos formas, mais gasto calórico teremos.

Para quem pratíca esporte, a inclusão da musculação é muito benéfica. Para entender melhor essa combinação, é importante saber que o músculo estriado é composto de dois tipos de fibras: as brancas que são mais rápidas e as vermelhas que são mais resistentes e lentas. Cada pessoa possui uma variação na distribuição das mesmas. Há ainda as fibras intermediárias, em torno de 10% que podem se tornar, com exercícios físicos entre 12 e 14 anos, mais rápidas ou mais resistentes. A musculação promove o desenvolvimento apenas das fibras lentas. Para o desenvolvimento de fibras rápidas é necessário praticar exercícios aeróbicos, como corrida ou natação.

A combinação de corrida e musculação oferece um trabalho bastante efetivo para o desenvolvimento de toda a musculação, atingindo o desenvolvimento dos dois tipos de fibras. Essa combinação torna o indivíviduo bem mais preparado para esportes competitivos, tais como tênis, futebol, basquete, vôlei, além de tornar a corrida mais rápida.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva (SBME), Felix Albuquerque Drummond, “à medida que a pessoa ganha condição física, diminui o risco cardiovascular. Esse é o fator importante, principalmente porque é a maior causa de mortalidade no mundo. Também nos tem chamado a atenção a relação do exercício com a diminuição do câncer, um fator bem significativo”, lembra, em referência estudos que indicam tal prevalência em câncer de próstata, cólon, mama e pulmão.

A corrida em si já é um tipo de musculação natural muito eficiente para os membros inferiores, principalmente em subidas, uma vez que trabalha de uma maneira muito prática toda a musculatura da perna e da coxa, além de acionar diretamente a musculatura dos glúteos. Porém deve sempre ser particada com algum outro tipo de musculação.

A musculação bem praticada promove músculo mais inteligentes, propicia uma força mais explosiva e produtiva, gera mais flexibilidade, um maior destreza e agilidade. Para tanto, é fundamental um trabalho harmônico e bem realizado com os músculos de todo o corpo.

Para todos esses benefícios, não é necessário se matar na academia. Duas vezes pr semana, durante uma hora, já é o suficiente para um bom resultado. É importante destacar a impotância de uma orientação profissional. Realizar exercícios em aparelhos por conta própria pode facilmente levar o praticante a se machucar ou gerar lesão muscular de dificíl recuperação. Para amenizar a monotomia, sugiro que os exercícios sejam praticados juntos com um treinador especializado. Essa interação faz o tempo passar mais rápido, e o profissional evita que o praticante realize movimentos errados ou com postura inadequada. A desvantagem é o custo, mas muitas vezes compensa.

Se você realmente se preocupa com o bem-estar do seu corpo, não deixe de incorporar em sua rotina algum exercício de fortaleciemento. Pode ser até chato, mas os benefícios são muito recompensadores.

Dr. Robson Ferrigno é membro titular do CRB, Presidente do setor de Radioterapia da SPR e médico radioterapeuta em São Paulo (SP) (rferrigno@uol.com.br) Fonte: Boletim CRB -Agostol/09 (Vida saudável)

 

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