RESENHAS MÉDICAS

Benefícios da atividade física para jovens
André Pedrinelli

A crescente atenção dada pela mídia e pela sociedade à qualidade de vida, incluindo o principal fator a atividade física regular, tem levado mais pacientes e com mais duvidas ao consultório medico, com abordagens sobre qual é a melhor atividade para cada pessoa, quais a limitações, e a famosa pergunta: “Quanto eu preciso fazer disso ou daquilo para emagrecer ou baixar a pressão arterial e o colesterol?" Perguntas difíceis de responder que devem ser analisadas caso a caso.

Mas a atividade física na infância é provavelmente mais importante que na idade adulta, pois alem de evitar as doenças degenerativas, cria jovens saudáveis que serão mais facilmente adultos saudáveis e ativos, colabora na educação, na socialização e na formação das crianças. Em algumas fases da adolescência, tem efeito sobre a formação de massa muscular e óssea, a maior prevenção à osteoporose na idade avançada.

A atividade física na infância é dividida na literatura por faixas etárias:

Dos 3 aos 5 anos de idade a criança está em uma fase de desenvolvimento motor, aperfeiçoando a marcha, evoluindo seus movimentos de arremesso, criando consciência do corpo, de suas atividades físicas de brincadeiras com os pais, sentindo o apoio da família, o estímulo da convivência e do aprendizado, melhorando a coordenação motora.

Nessa fase não pode haver cobranças, já que a criança não tem capacidade de compreender o que é competição.

Dos 5 aos 7 anos, as habilidades motoras chegam ao seu desenvolvimento completo: capacidade de chutar, arremessar, a coordenação de movimento visual e motor se aperfeiçoa, a criança compreende o que é a competição, mas principalmente o prazer da atividade física, a brincadeira se torna mais completa e prazerosa.

A literatura tem trabalhos clássicos, tanto na área esportiva quanto na pedagógica, que demonstram os efeitos do esporte nessa fase. A prática de diversos esportes, de preferência coletivos, leva ao desenvolvimento de habilidades, estimula a variedade de aprendizados, traz a noção da importância da atividade física como diversão e da pouca importância do ganhar ou perder.

Mas também é nessa fase que os estímulos familiares podem ser mais complexos. A ansiedade paterna, que quer que o filho seja um grande campeão, direcionando a criança à prática de um só esporte, pode levá-la a um estresse muito grande e tornar o esporte uma obrigação, desestimulando ou gerando uma barreira que no futuro tornará esta criança avessa à atividade física.

Ao redor dos 9 anos de idade, a criança já deve ter tido experiência suficiente para decidir se há um esporte de que gosta mais, em que se destaca, ou mesmo em que tem mais amigos. Porém, sempre deve ser lembrado: pouquíssimos serão atletas, menos ainda grandes atletas. Para os pais, o importante é dar apoio, ajudar, levar e trazer, buscar orientação profissional sobre alimentação, treinamento, se for o caso, tratar as queixas e buscar bons equipamentos.

Isso porque até o início da adolescência, o estímulo aos esportes coletivos é muito importante. A formação da personalidade, da capacidade de trabalhar em equipe para um objetivo comum, o desenvolvimento da capacidade de liderança em algumas situações, e a obediência ao treinador ou outro líder são importantes para o futuro profissional, e não só para o esportivo

André Pedrinelli é ortopedista, traumatologista e médico do esporte. É assistente do grupo de medicina do esporte da EPM, diretor do Comitê de Trauma do Esporte da SBOT e médico da CBFS.

Fonte: Revista O2, #52 - Março/08 (Medicina do Esporte)

 

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